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| Jingshan Park |
Pequim é grandiosa e extremamente segura, o lugar mais longe de casa que visitamos nessa
viagem. A arquitetura moderna e o tradicional estilo de vida
contrastam e fazem da cidade um destino de muitas descobertas. Uma semana pareceu pouco
tempo na megalópole que impressiona pelas luzes e atrações, pela organização
social e pelas largas avenidas e ciclo faixas, onde motoristas e ciclistas têm
seu espaço garantido. É a prova de que grandes cidades podem sim ter uma área
urbana planejada para que as pessoas transitem sobre duas rodas com tranquilidade.
A cultura da bicicleta é antiquíssima e uma das marcas das ruas de Pequim. Chineses
de todas as idades pedalam ou usam suas bikes motorizadas, geralmente
elétricas, sem medo de serem atropelados. Para os turistas, pedalar é uma opção
barata e saudável de explorar a cidade. O aluguel de uma bicicleta
por 24 horas custa cerca de 15
Yuans, ou R$ 5,00. Além das bikes, nós também usamos bastante o metrô que é muito
organizado, com 442 Km de malha viária urbana e 221 estações, um dos maiores do
mundo. Andar de táxi na capital chinesa não é caro, mas é importante pedir para
o pessoal que trabalha no hostel escrever o endereço em mandarim, para que o
motorista entenda aonde você quer chegar. Geralmente
os taxistas se recusam a ligar o taxímetro, a saída para não pagar preços
elevados é combinar o valor antes de entrar no carro.
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| Também dá para andar de tuktuk, só cuidado com os golpes... |
OS HUTONGS, O VELHO E O NOVO
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| Domingo em Pequim |
O nosso hostel ficava num
clássico Hutong, no bairro central de Dongcheng. Os Hutongs são ruas estreitas
que lembram vilas, com casas bem baixinhas, de arquitetura simples e que
mantêm algumas características do passado. Desde o século 13, quando as casas
não podiam ser mais altas que os palácios dos imperadores, várias famílias vivem
muito próximas, dividindo pátios e banheiros. O estilo de vida nessa parte da
cidade tem jeito interiorano, sem luxo. Estreitos e longos, os Hutongs de
Pequim têm casas de paredes de cor cinzenta, com portas de madeira, em sua
maioria, pintadas de vermelho - cor da sorte, segundo a tradição chinesa. Com o
passar do tempo, os arranha-céus tomaram o lugar de muitos Hutongs, remodelados
pelo governo chinês na década passada. Restaurantes, hotéis,
pousadas, salões de beleza também tomaram boa parte do espaço residencial dos
Hutongs, tornando o lugar uma atração à parte, principalmente no verão. De dia,
tuk-tuks, varais lotados de roupas e pedestres dividem as vielas. Durante a noite,
os chineses se reúnem para comer e beber. Eles fritam vários tipos de comida no
meio da rua, como se estivessem no quintal de casa. É o melhor lugar da cidade para conhecer a cultura local. A pé
ou de bike, o legal é se perder pelas vielas e observar o contraste entre o
velho e o novo.
A
CULINÁRIA CHINESA
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| Iguarias do Snack Market |
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| Os famosos dumplings |
Comer na China não é nada
fácil. Há muitas opções de pratos, porém não se entende nada do que está
escrito nos cardápios. Os garçons não falam inglês, aliás, praticamente ninguém
fala inglês na China. É difícil imaginar como tantos turistas conseguiram se
virar durante os Jogos Olímpicos de 2008. A solução que encontramos foi fazer
mímica e apontar para os pratos das outras mesas. Também usamos a tática de
escolher aleatoriamente no cardápio e às vezes o prato vinha errado. Era sempre
uma surpresa: sopas aguadas com pedaços de carne boiando, peles fritas e patas
de frango ou pratos extremamente apimentados nos eram servidos. Os noodles, com
vegetais ou frutos do mar nos pareceram a melhor opção. Ficamos fãs dos dumplings, espécie de pastel cozido recheado com carne ou
cogumelos, e também do pato defumado, prato muito tradicional em Pequim.
Ao contrário do que
imaginávamos, a carne de cachorro realmente é um prato comum, vendido em feiras
de rua e restaurantes. Independente da nossa opinião trata-se de uma tradição
histórica e cultural. As comidas exóticas estão por toda parte. Os chineses também
comem escorpião, bicho-da-seda, morcego, cobra, cavalo marinho e muitas outras
coisas que parecem impossíveis de engolir. É preciso ter coragem e estômago para
experimentar essas iguarias! O Snack Market do centro de Pequim é um dos
lugares mais animados da cidade, onde comidas exóticas são vendidas a preços
populares. Um lugar interessantíssimo, bem comercial, que no fim de semana
parece um formigueiro humano.
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| No meio da multidão do Snack Market |
O JEITO CHINÊS. . .
Uma grande surpresa para nós
foram os banheiros de Pequim. Em praticamente todos os lugares, a única opção
existente, no lugar do vaso sanitário, é um buraco no chão. Nunca tínhamos
usado esse sistema. Dessa vez fomos obrigados a testar a nova
opção. Foi uma experiência diferente, onde a principio parecia estranha, mas ao
longo dos dias nos acostumamos e até entendemos a praticidade...
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| Descansando no meio da multidão |
Ficar de cócoras é algo que
faz parte da cultura chinesa. Para nós ocidentais pode parecer bizarro, mas é
muito comum ver algumas pessoas abaixadas pelas ruas...Conversando, esperando o
ônibus, ou simplesmente descansando. A relação dos asiáticos com o corpo e a
maneira que eles se posicionam perante o mundo é bem curiosa. A cultura chinesa
é baseada no movimento do corpo. Os idosos lotam praças e parques para praticar
atividades em grupo como a peteca, a dança e o tai chi chuan, tudo isso para
manter a saúde e a longevidade. Para eles, a energia tem que fluir e o corpo deve estar sempre em movimento.
Outro traço marcante da
cultura são as escarradas e cusparadas em público. Na China, isso não é
considerado nojento ou falta de educação. Eles escarram mesmo! Dentro do metrô, nas
calçadas e até mesmo nos restaurantes, sem pudores nem vergonha. Levamos alguns
dias para nos acostumar com isso. É uma característica que abrange ambos os
sexos e todas as idades. Pequim é um show de luzes, som e imagem, uma cidade
onde incrivelmente cada um parece mais um número e mesmo assim sabe respeitar o
espaço do outro. Entre telas de Ipads
e Iphones, as coisas fluem e a vida
acontece. Tudo na mais dura paz. Sempre conectados, os chineses têm as próprias
redes sociais controladas pelo governo. Facebook e Twitter são realmente bloqueados.
Para entrar em blogs e nas redes sociais só instalando um programa que burla o
bloqueio do governo chinês.
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| Passeando na Praça da Paz Celestial |
TIANAMEN,
A PRAÇA DA PAZ CELESTIAL
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| A névoa quase sempre presente na cidade de Pequim |
Construída em 1415, durante
a dinastia Ming, é simplesmente a maior praça do mundo com 440 mil metros quadrados e muita
história. Um lugar de protestos pela democracia e de longos discursos do
ex-líder comunista Mao Tse Tung, figura idolatrada até hoje por muita gente. A
prova disso são os quilômetros de filas diárias que se formam por turistas de
toda China, e do mundo, que vão visitar seu mausoléu, protegido a sete chaves e
dezenas de seguranças. Estar na Praça da Paz Celestial mostra a dimensão do
poder e da força da China. A ideologia socialista certamente ainda paira no ar,
apesar do recente afrouxamento econômico e da ânsia da ascendente e voraz
classe média, que engole produtos industrializados, de maneira superior a
qualquer sociedade capitalista. A China é a prova de que os conceitos de
direita e esquerda se perderam no tempo. Além do mausoléu do Mao Tsé Tung, a
Praça da Paz Celestial reúne o Museu de História da China e alguns monumentos emblemáticos da cultura chinesa.
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| Monumento na Praça da Paz |
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| Mausoléu Mao Tse Tung |
Como chegar: a melhor maneira é de metrô. Pegue a linha 1 e desça na Tiananmen East ou na Tiananmen East. Uma
maneira prática e mais barata que os tuk-tuks locais. Em Pequim, a passagem de metrô custa menos de
R$1,00. Dá para ir de ônibus, mas o perigo é se perder...
A
CIDADE PROIBIDA
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| Um dos pavilhões da Cidade Proibida |
A Cidade Proibida começa
onde a Praça da Paz Celestial termina, no coração de Pequim. Reserve um dia inteiro para
conhecer esse lugar fantástico, construído entre 1407
e 1420, considerado o maior palácio do mundo, com cerca de 980 prédios. A
cidade murada foi a casa de 24 imperadores, que reinaram por cerca de 500 anos.
Ninguém, além do imperador, sua família e empregados escolhidos a dedo podia
entrar nos pavilhões do palácio. O estado de conservação do lugar é impecável.
O mais legal é passear com calma pelos pátios, livremente, sem guia,
observando a arquitetura, os tambores e caldeirões de bronze originais da época, e imaginar como era a vida nesse centro que foi o baluarte do Império Chinês. É bom chegar cedo. Depois das 9h a cidade Proibida fica lotadíssima de
turistas. A entrada custa 60 Yuans, o equivalente a cerca de R$ 20,00.
JINGSHAN
PARK
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| Em português, Jinghsan significa "montanha próspera" |
O parque artificial Jingshan
foi feito com a terra retirada durante a construção da Cidade Proibida e fica
ao norte do palácio. Era o jardim imperial e servia de lugar de contemplação e
descanso para os imperadores e sua família. Hoje é um parque turístico e de
socialização de idosos, um lugar bonito para caminhar, cheio de pequenas
pagodas e vegetação local, de onde a vista da Cidade Proibida e do resto de
Pequim é espetacular. A entrada custa 10 yuans. Foi
lá que em 1644, o último imperador da dinastia Ming, Chongzen, se enforcou e
morreu. Ele teria cometido suicídio por conta de uma revolta e da pressão popular
de camponeses. O local onde ocorreu o suicídio hoje é um memorial que relembra
essa triste passagem da história chinesa.
A
GRANDE MURALHA
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| Vista panorâmica de Badaling |
A Muralha da China fica a
cerca de 60 km de Pequim, é uma das sete maravilhas do mundo e faz jus ao
título. É muito mais incrível do que imaginávamos. Parece uma serpente de pedra
que contorna as montanhas. Pode ser vista da lua e foi construída por milhares
de operários, para defender o império chinês de ataques inimigos, principalmente
do exército mongol, vindo do norte. São cerca de 9 mil km de extensão, mas apenas 3.7 km são abertos para os turistas. Alguns historiadores acreditam que a construção desse monstro de pedra demorou cerca de 2 mil anos, ela teria começado a ser construída dois séculos antes de Cristo.
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| Uma das torres de observação da Muralha |
Nós visitamos Badaling, o
trecho mais turístico para visitação. Não fechamos tour com agência e optamos
por pegar um ônibus local, que sai do centro da cidade, para ir e voltar do
passeio. Subimos a pé e descemos de teleférico, num bondinho para seis pessoas
que parece uma lata velha sem manutenção. A vista de lá é maravilhosa! Também existe uma espécie de carrinho de montanha-russa para descer, mas anda muito rápido, é caro e não se tem vista alguma das montanhas nem da muralha.
SUMMER
PALACE
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| O parque do Summer Palace |
Outro cartão postal de
Pequim é o Summer Palace, casa de veraneio dos imperadores da dinastia Qing.
Infelizmente fomos num dia muito lotado e não conseguimos contemplar o lugar que é de tirar o fôlego. Milhares de turistas chineses trombavam entre
si nas apertadas trilhas e caminhos do lugar, parecia saída de jogo de futebol.
Mesmo assim, a beleza os templos, pontes, pavilhões e jardins compensaram o sufoco. Conhecer
o Summer Palace de Pequim é essencial, mas é melhor evitar os fins de semana. Andar
de pedalinho pelo lago é uma das atrações do lugar.
HEAVEN
TEMPLE
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| Templo do século 15, usado pelas dinastias Quing e Ming |
Colorido e imponente, esse
templo é um dos mais bonitos da cidade, foi construído no século 15 e fica no meio de um parque, uma ilha de paz e tranquilidade na dura Pequim. Imperdível. Apesar do parque fechar às 21h, o Templo só fica aberto das 8h às 17h. O parque reúne
muitas famílias chinesas que praticam esportes como a peteca, ginástica com
fitas e dança em grupos. Há também apresentações de chineses acrobatas e outras
atrações de artistas de rua. É uma festa. Lá também é possível conhecer uma
árvore de 500 anos que é um dos símbolos do país, da espécie chinese jupter .
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| Brincando no parque... |
LAMA TEMPLE
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| Lama Temple, o maior templo tibetano fora do Tibete |
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| Buda gigante |
O Templo Lama foi
convertido para um mosteiro em 1744 depois de servir como a antiga residência do imperador Yong Zheng. Hoje, o
templo é um lugar ativo de adoração e atrai gente do mundo inteiro. São vários
pavilhões muito bem conservados e o mais bacana do lugar é a imagem de um
Buda gigante, esculpida num enorme tronco de sândalo, de 18 metros de altura.
Factory
798, o bairro dos artistas chineses
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| Chinesas vão às compras... |
Uma antiga área industrial do auge do regime comunista virou
terreno fértil para os artistas plásticos de Pequim. Com galerias, cafés
charmosos, lojinhas descoladas e restaurantes sofisticados, é um espaço
dedicado à arte e design, bem agradável, de ruas largas, perfeito para quem
gosta de observar obras contemporâneas, sem a tradicional censura do governo
chinês. Grafites com mensagens de liberdade e esculturas surrealistas estão por
toda parte. A maioria dos espaços fecha às18h
e a entrada é gratuita.
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| Show de acrobacia no Teatro Chaoyang |
Silk
Market , a 25 de março de Pequim
É um prédio de
seis andares, com várias lojas que são o paraíso das falsificações. Tem de
tudo: roupas, calçados, eletrônicos, souvenirs, joias e até comida. Os
vendedores abordam muito os clientes e fazem de tudo para vender. Não hesite em
pechinchar, certamente o preço cairá pela metade ou até mais do que isso. Tudo é muito barato, mesmo assim negocie.
A BALADA É EM HOUHAI